Inflação cai no DF, mas aluguel aumenta até 50%

Embora o IGP-M, índice de correção dos contratos, esteja em queda, o mercado imobiliário segue tendência de alta, ignora as cláusulas contratuais e aplica percentuais de reajustes com base na valorização do imóvel. No DF, as correções superam a inflação acumulada


As imobiliárias do Distrito Federal estão se aproveitando da procura crescente por imóveis para empurrar aumentos indigestos aos que recorrem ao aluguel. Na teoria, os valores dos contratos com vencimento em julho e em agosto deveriam ter redução próxima de 1%, pois o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M)(1), que os corrige, está em queda. Mas, na prática, está havendo reajustes que chegam a 50%. Os locadores alegam que, neste momento, o que prevalece é a valorização dos imóveis em vez do que está escrito no contrato. O do aluguel tem de variar entre 0,6% e 1,2% do valor de mercado da casa ou do apartamento.

“Quando alguém compra imóvel, busca rentabilidade. Além de ter o retorno do aluguel, há a valorização do patrimônio. Nos últimos 12 meses, o preço dos imóveis subiu 20% no Plano Piloto e em Taguatinga, 29% em Águas Claras e 47% em Ceilândia, Gama e Samambaia”, afirmou o diretor do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), Ovídio Maia. “Portanto, não há como o valor dos aluguéis seguir somente a variação do IGP-M”, afirmou, a despeito de cerca de 90% dos contratos de locação estarem atrelados a esse índice.

Essa visão é compartilhada pelo vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-DF), Getúlio Romão Campos. “No DF, nenhum local valoriza menos que a inflação”, afirmou. “Então, o valor dos aluguéis tem de acompanhar a valorização do imóvel, que tem sido pelo menos o dobro da inflação no ano. Ou seja, um investimento bem melhor do que a caderneta de poupança”, completou.

Assim, muitas pessoas são obrigadas a trocar de imóvel para adequar o valor do aluguel ao seu orçamento. Foi o caso da auxiliar administrativa Maria Isabel Ribeiro, 28 anos. Há oito meses, ela e o marido, vigilante, pagavam R$ 250 por uma quitinete em Planaltina. Mas tiveram que se mudar. “O proprietário queria aumentar o aluguel para R$ 300. Era um absurdo. Tentei negociar. Disse que não teria como pagar aquele valor. Mas não teve jeito”, contou Isabel. Ela optou, então, por alugar uma casa, também em Planaltina, pagando os mesmos R$ 300. “A diferença é que, agora, moramos num lote sem outras famílias, o que acabou sendo mais vantajoso.” Com o aluguel e as contas de água e luz, Maria Isabel e o marido comprometem 25% da renda familiar.

Fonte: Deco Bancillon, Victor Martins

Publicação: Correio Braziliense 07/08/2009










   
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